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FIRST GENERATION

1. Ena de Miranda UCHÔA Photo was born on 15 Jun 1911 in Campos / RJ. She died on 15 Mar 1995 in Brasilia / DF. She was buried in Brasilia / DF. - ENA MORGADE DE MIRANDA -
= ENA DE MIRANDA UCHÔA =



Filha de ANTONIO e LOLA, nasceu na cidade de CAMPOS, no dia 15 de junho de 1911.
Foram seus padrinhos, seus avós maternos, PERCILIANA e JOSÉ MARIA. Este, como bom súdito dos reis da Espanha, colocou em sua primeira neta o nome de solteira de sua rainha: ENA.
Ena tinha seis meses quando seu avô levou-a para sua companhia, onde ficou até os 17 anos.
Ela chamava seus avós de "papai" e "mamãe", para diferenciar de seus verdadeiros pais, a quem chamava de "meu pai" e "minha mãe".
Teve uma infância maravilhosa, pois seus avós a adoravam e a educaram debaixo dos princípios de uma moral sã e rígida.
A chácara de seu avô era muito grande e possuia muitas árvores frutíferas, mas a preferida de ENA era uma frondosa mangueira, à sombra da qual, dentro de uma caixa d’água vazia, construiu sua casa de bonecas, passando, aí, várias horas a brincar.
Dormia em companhia de sua tia avó BEATA, num quarto com dois oratórios cheios de santos, que ficavam floridos e iluminados por ocasião dos festejos juninos, o que muito a encantava.
A menina cresceu nesse ambiente puro e tranquilo. Gostava de subir em árvores, fazer vestidos para as bonecas e ir às festas religiosas com sua avó.
Passava as férias com seus pais: primeiro na FAZENDA COLEGINHO e, depois, nos hotéis.
Seus 15 anos, festejou no Hotel de BOM JESUS DE ITABAPOANA.
Cursou a Escola Normal de Campos, concluindo seu curso em 1927, quando foi morar com seus pais, em Vitória, capital do Espirito Santo.
Foi sempre alegre e comunicativa, gostava de festas e carnaval. Possuia bonita voz lírico ligeiro, cantando em reuniões e horas de arte.
Aperfeiçoou seus estudos em Vitória, num Curso Superior de Cultura Pedagógica.
Em 1929 conheceu o engenheiro ALFREDO MOACYR DE MENDONÇA UCHOA.
Conferências espiritas os aproximaram e, em 24 de dezembro de 1930, ficaram noivos. No dia seguinte, 25, ela foi para a cidade de Campos, visitar o avô que estava muito doente e que veio a falecer no dia 30 Dez.
Voltou a Vitória em fevereiro para ajudar o pai na mudança para MUQUI, pois havia sido vendido o Hotel MAJESTIC, de sua propriedade. Foi nomeada professora para uma escola isolada e, depois, para o Grupo Escolar de Muqui.
Ficou noiva durante dois anos, indo o noivo visitá-la sempre. Ele saira de Vitória, para o Rio de Janeiro, pois voltara ao Exército, em 1930, graças à anistia aos revolucionários de 1922. Casaram-se no dia 12 de janeiro de 1933, na cidade de MUQUI, e embarcaram para o Rio.
Moacyr achava que o nome " ENA" não tinha tônica e, por isso, passou a chama-la de "ENITA".
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No início de 1934 Moacyr foi transferido para Barreiros, no interior de Pernambuco, onde foi trabalhar na construção de uma remonta do Exército.
Alguns dados curiosos sobre a vivência de Ena nessa cidade, encontram-se no resumo biográfico de Moacyr, escrito pela própria Ena.
Em 1935, com a promoção a capitão, o casal mudou-se para Recife e, daí, em 1936, retornou ao Rio de Janeiro, indo residir em Niterói, na casa dos pais de Ena, à Rua Moreira Cesar Nr 160 - Icaraí, onde nasceram seus filhos Luiz Carlos Krish, Anna Maria Christina e Paulo Roberto Yog.
O casal adquiriu uma casa na Rua Joaquim Távora, também em Icaraí, onde residiu por algum tempo, até a transferência para Resende, no Estado do Rio, em março de 1945.
A vida em Resende, com Moacyr trabalhando na Academia Militar das Agulhas Negras, foi muito tranquila e feliz, com as férias passadas, quase sempre, em Niterói, na casa de Lola e Antonio Miranda - os pais de Ena. As crianças adoravam a casa da “Dinda”, na rua Lopes Trovão Nr 32, em frente ao trampolim que, imponente, existia no meio da praia de Icaraí.
No dia 1º de abril de 1951, quando a família se dirigia para o cinema, ENITA disse aos filhos: “ Vocês vão ganhar um (a) irmãozinho(a)! Coitada da ENITA, ninguém acreditou nela, pensando tratar-se de uma brincadeira de 1º de abril. Mas era verdade. Em 26 de Setembro daquele ano, nasceu a filha Angela Maria Cristina, que veio destronar, onze anos depois, o caçula Paulo Roberto.
A casa onde moraram, na rua Vilagrant Cabrita Nr 3, na Vila Militar, em Resende, era ampla, 2 andares e palco de muitas brincadeiras da infância alegre e descontraída dos filhos do casal. Também foi naquela casa que ENITA fez grandes amigos no "plano invisível", ou seja, entidades que compareciam, frequentemente, nas sessões de materialização promovidas por Moacyr. Os mais "chegados" eram Terezinha, Atanásio, Ismael e Paulista, este ultimo, em especial, era invocado por ENITA sempre que uma situação difícil a atormentava.
Em 1957, Moacyr foi nomeado para fundar e ser o primeiro comandante do Colégio
Militar de Salvador. E lá se foram eles para a Bahia, acompanhados, apenas, por Angela Maria, posto que Luiz Carlos estava se formando na Escola Naval, Anna Maria estudando em Niterói e Paulo Roberto terminando a Escola Preparatória de Cadetes, em São Paulo. Em Salvador, ENITA prestou grande apoio e ajuda a Moacyr, inclusive como "primeira dama" do Colégio Militar, missão que desempenhou com desenvoltura e meiguice.
Em 1960 Moacyr deixou o Comando com um belo elogio do Ministro da Guerra, General Teixeira Lott, indo cursar a Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro, após o que, passou para a Reserva. Nessa época, o casal já havia trocado a casa da rua Joaquim Távora por dois apartamentos (transformados em um único), no edifício construido sobre o terreno da casa. O endereço passou a ser Av Ary Parreiras, 28, Edifício Califórnia, 4º andar, onde moraram até 1968, quando foram residir em Brasília.
Com o falecimento de sua mãe LOLA (a querida "Dinda" de seus filhos), em 1962, seu pai, ANTONIO MIRANDA, após residir um período com a irmã Néa e, depois, algum tempo com a filha Anna Maria, foi morar, em definitivo, com o casal ENA & MOACYR.
Em 1968, os quatro (Ena, Moacyr, a filha Angela e o pai Antonio) mudaram-se para Brasília. Depois de residirem, na nova capital, em alguns apartamentos em carater provisório, com a venda do Apto de Niterói compraram sua moradia definitiva na Super-Quadra-Sul 104, Bloco E, Apto 305. E, aí, teve início toda uma fase de vida intensa, sempre balizada no espírito de pesquisa, dinamismo e idealismo de Moacyr, que encontrava, em ENITA, uma companheira extremamente dedicada, colaboradora de todas as horas e incansável no apoio em quaisquer circunstâncias. Nessa época, vamos encontrar a melhor síntese para ENITA, no belo soneto que seu marido lhe dedicou por ocasião de um Dia das Mães e publicado em seu livro de poemas "Oasis de Luz":

À querida Enita

És mãe, neste dia, cânticos suaves
Chegam ao teu coração, mensagem das estrelas,
Falando-te de amor e da inspiração de vê-las
Em noites virginais de espaços inefáveis!

É que, querida Enita, soubeste amar
Nas lutas desta vida, alma enriquecida,
Os teus pais, os teus filhos, nunca esquecida
Do amor do teu marido, juntos a lutar.

E as Bênçãos do Senhor, em céus alcandorados,
Buscaste sempre e sempre, luz no coração,
Bondade sem limites, frutos alcançados

De cósmico amor, beleza das Alturas,
Espiritualidade maior. Emoção
De grandeza sutil, sem par, das Almas Puras.

Com as pesquisas sobre Disco Voador realizadas durante muitos anos em uma fazenda nas proximidades de Alexânia, o casal acabou adquirindo, no início da década de 70, um sítio naquela localidade, batizado de "CANTINHO DA VOÍTA", palco de muitas e muitas alegrias de ENITA, Moacyr, filhos, netos e amigos, bem como fonte de inspiração como a cantiga composta pelo filho Paulo Roberto:

Hoje é sexta-feira, pega a tralha e vai
Passar dois dias de alegrias com mãe e pai.
Esse céu azul, vem nos convidar
P'ra no CANTINHO DA VOÍTA passear...

Aquela casinha, nos faz bem lembrar
A da Carochinha, feita p'ra sonhar.
Na varanda a rede e o beija-flor,
No jardim as rosas e o anãozinho em cor.

Hoje é sexta-feira...

Frutos p'ra colher, sol p'ra se queimar,
Banho bom de rio, antes de almoçar...
Jogos, brincadeiras, fome e confusão
E ao cair da tarde, canto e violão...

Hoje é sexta-feira...

Se lá fora é frio, dentro faz calor,
Pois Voíta traz mais um cobertor.
Lá p'ra meia-noite, todos dão as mãos.
Prece em sintonia, paz em vibrações...

Hoje é sexta-feira...


A data de 12 de janeiro de 1983 foi um belo marco na vida do casal, que comemorou suas bodas de ouro no Clube do Exército, em Brasília, reunindo dezenas e dezenas de amigos e parentes numa cerimônia planejada, escrita e conduzida pelo filho Paulo Roberto, que recebera carta branca dos irmãos para idealizá -la, dentro dos princípios filosóficos e místicos que caracterizavam o querido casal. A beleza da cerimônia e as emoções vividas naquela noite inesquecível ficarão registradas, para sempre, no mais profundo dos corações de todos aqueles que ali compareceram. Na parte superior do convite para as Bodas de Ouro, estava escrito:

"O VERDADEIRO MATRIMÔNIO
É UMA GRAÇA INTERNA E ESPIRITUAL QUE APROXIMA DUAS CRIATURAS"

Do texto da cerimônia, extraimos:

" E na certeza da Divina Presença do Amado Mestre Jesus, voltemos nossos pensamentos para os queridos ENA e MOACYR que completam, hoje, meio século de viver comum, em amor e em serviço."
" Mas eles se vêm amando e unidos desde longas idades, através dos distintos e múltiplos aspectos e circunstâncias com que a vida humana brinda as almas em seu eterno viver: amigos, irmãos, esposos, amantes, mães e filhos, pela longa cadeia da evolução humana. E nossa mente, correndo ao longo da Senda Eterna, que ignoramos quando começou e quando há de terminar, quantas vezes irá encontrar as mesmas flores no mesmo jardim ?"
" Para quem já conseguiu levantar uma pequenina ponta do véu sagrado que esconde do vulgo os segredos divinos, não há mistério nem enigma nessas sublimes alianças de almas que, unidas, vêm se encontrando, em cumprimento às leis indeléveis, através da noite dos tempos."
" Mas o tempo é a imagem móvel da imóvel Eternidade. Portanto, fixemo-nos no AQUI e AGORA."
" O homem, ALFREDO MOACYR DE MENDONÇA UCHÔA, faz hoje idéia nítida e
precisa da direção da evolução, e tem dedicado sua vida a cooperar com ela, auxiliando e orientando os seus irmãos de jornada. Os membros da Grande Hierarquia, em cujas mãos está a evolução do Mundo, buscam homens como ele, predispostos para a missão, orientando-os no que lhes falta para poderem auxiliá -Lo na Grande Obra."
" A mulher, ENA DE MIRANDA UCHÔA. A abnegação de seu amor é tão grande
que se constitui em uma indispensável aliada no caminho do discipulado. O Mestre de um, é o mesmo do outro. Ele é um montinho de terra fértil. Ela, a roseira branca que nasceu, cresceu e floresceu nele..."
" E ambos fazem de seus corações um pequeno templo de amor!"

O momento culminante da cerimônia foi, sem dúvida, aquele em que foi solicitada, simbolicamente, a presença do Excelso Mestre MORYA para proceder à bênção do casal.



Sempre muito viva, participante, forte, saudável, amorosa e decidida, ENITA era o exemplo e o polo catalizador da família.
A partir do final da década de 80, quando os problemas de coluna de Moacyr foram se intensificando, levando-o à cadeira de rodas e, posteriormente, ao leito permanente em conseqüência do derrame cerebral que o acometeu em agosto de 1991, ENITA se tornou em uma "gigante" de dedicação, em uma demonstração da ilimitada capacidade de abnegação a que pode atingir o ser humano. Superou a si mesma e tornou-se, para o seu querido Moacyr, no anjo de amor e ternura, segundo palavras do próprio marido.
Era chamada, carinhosamente, de "MINHA FLORZINHA" pelo filho Paulo Roberto, o qual a presenteava, frequentemente, com motivos relacionados às flores. No dia em que completou 80 anos, 15 de junho de 1991, dele recebeu uma fita de vídeo (Paulo Roberto morava nos Estados Unidos) editada caprichosamente e montada à base de parábolas, fantasia e flores - que ele filmara na primavera, já para esse fim - emoldurada por belas músicas. Na fita, a inspiração do filho colocou seu nome em uma doce parábola:



Era uma vez uma flor e um jardim.
Nunca o Jardineiro deixou de regá-los,
Até que um dia...

Descobriu que poderia deixar a flor
Encarregada do jardim.

Missão sublime, pensou a flor,
Incansável na tarefa de
Regar, com extremado amor e perfume,
Aquele jardim que lhe fora confiado.
Nela, o Jardineiro desenvolveu a pureza
Dos anjos, que ela expressa através de sua
Aura branca como as pombas do Paraiso.

Um dia, nasceu de seu pólem um pequeno botão que
Cresceu, que a ama muito... e que sou eu...
Hoje, a flor, a minha mãe, é um retrato do Jardineiro.
Oitenta anos de Divino Exemplo está completando
A florzinha do meu coração!!!...


A última cena dessa fita era o close de uma linda rosa, muito branca, por sobre a qual, em letras douradas, mais um acróstico surgiu:

Em cada flor eu te vejo
Nelas te sinto o calor.
Intensamente desejo
Te confessar meu amor...
A ti, florzinha, meu beijo!!!


ENITA parecia personificar o amor, o carinho, a dedicação. Todos os filhos e netos se enterneciam ao cantar a musiquinha composta pela filha Ângela:


Minha mãezinha, tão bonitinha,
És a fofinha do meu coração.
Ela dá bronca, fica zangada,
Eu de fofinha não chame mais não!
Então eu faço esta toada
P'ra lhe dizer do meu grande amor.
Minha mãezinha és a estrela
Que guia os passos e nos dá calor .



Mãe adorada, gentil companheira,
És nosso tesouro de infindo valor
Teu amor conforta, inspira e seduz,
Éés minha mãezinha qual raio de luz..
Toda madrugada paciente esperas,
És doce exemplo de dedicação
A tua presença é felicidade.
Estejas conosco pela Eternidade...




No dia 12 de janeiro de 1993, ao completar suas “Bodas de Diamante”, 60 anos de casada, seu querido Moacyr, já bastante doente, lhe ofereceu uma orquídea, acompanhada de um cartão, com a seguinte dedicatória:

“Muito emocionante, impressionante mesmo, este sentimento que ora procuro transmitir a você, minha queridíssima Enita, nesses 60 anos de vida de VERDADEIRO AMOR, agora revigorado e purificado pela Beleza e Espiritualidade do branco tão perfeito, expressivo das pétalas dessa Orquídea. Aceite, pois, esta singela lembrança desse seu Amor que transcende as fronteiras desse mundo, subindo ao Plano onde operam e trabalham os Excelsos Seres da Espiritualidade do nosso planeta. Do eterno seu, Moacyr.”

Na noite desse belo 12 de janeiro de 1993, em seu apartamento de Brasília, reuniram-se seus filhos, genros noras, netos e amigos, para comemorar data tão marcante. Em determinado momento, sua filha Angela foi para o piano e todos fizeram uma surpresa para o casal, cantando, em coro, a” música da “Noviça Rebelde”, de cuja melodia Enita e Moacyr tanto gostavam, só que, naquela noite , com uma letra composta pelo filho Paulito, especialmente para aquela ocasião:


ENA E MOACYR - 60 PRIMAVERAS
(Letra: Paulito - Música: do filme “A Noviça Rebelde”)
I
É - de - vo - cês - es - ta - can
São sessenta primaveras
De amor e devoção!
Moacyr - Enita os dois,
Um exemplo de união!
Duas velas, uma luz
Sob as bênçãos de Jesus.
Nós, teus filhos, te saudamos,
Cantando, assim, em gratidão:
II
É - de - vo - cês - es - ta - can
São Luiz Carlos e Mathilde,
Cláudia, Marcelo André,
Alexandre e Dolinha,
Eduardo, Rafaela,
Carolina e Camila
Vieram de Niterói
P’ ra beijá-los neste dia
E p’ ra cantar, com alegria,
III
É - de - vo - cês - es - ta - can
São o Paulo e Anna Maria,
Paulo Sylvio, mais Sylvana;
São a Flávia, Luiz Cláudio
E a Larissa e a Liliana,
Todos, hoje, aqui presentes
Nesta festa de amor,
A cantar com alegria
Esta canção em teu louvor...
IV
É - de - vo - cês - es - ta - can
São Paulito e Regina,
Mais Liane e João;
São Denise mais o Matt
Com vocês no coração!
Não existe longe ou perto,
Neste dia especial,
Pois o amor que te dedicam
Transcende o espaço sideral
V
É - de - vo - cês - es - ta - can
São Xeloca e João
Anna Paula e Ana Luiza
Que te amam e que completam
Tua, hoje, descendência.
Doce o Karma que nos fez
Vir à Terra com vocês
E aprender o que é o amor...
E aprender o que é o amor...
VI
É - de - vo - cês - es - ta - can
São os filhos, genros, noras,
Lindos netos e bisnetos
Mais parentes e os amigos
Incontáveis que tu tens.
Os presentes e os ausentes
Vão, agora, em sintonia,
Te brindar por este dia
Com um caloroso PARABÉNS!!!


Falar sobre ENITA é deixar falar o coração, ainda e sempre repleto de amor para com ela. O vazio deixado por sua partida, a saudade imensa de sua presença, doem muito. Pessoa boa, generosa, desprendida, dedicada e, sobretudo, que sabia amar em plenitude: à Deus, à sua família, ao próximo... Era, ao mesmo tempo, um Amor Suave - que acariciava, admirava, embalava - e Forte, que apoiava e se fazia sentir nas horas mais necessárias.
O seus amor abrangente fez com que fosse, também, muito amada. E a vida lhe foi gratificante. Colheu o que sempre plantou: AMOR. Como filha, foi dedicada; como esposa, companheira amorosa e abnegada; como mãe, sempre atenta à felicidade de seus filhos e, após eles, de seus netos e bisnetos; como amiga, sempre atenciosa e presente em todos os momentos.
Sua alegria, otimismo, compreensão, dedicação e amor - seu Exemplo de Vida - a fizeram, ou melhor, a fazem uma mulher fantástica, inesquecível.








She was married to Alfredo Moacyr de Mendonça UCHÔA (son of Alfredo de Mendonça UCHÔA and Idalina de Mendonça UCHÔA) on 12 Jan 1933 in Muqui - Espirito Santo. Psiquiatra de renome em São Paulo e no Brasil.
Alfredo Moacyr de Mendonça UCHÔA Photo was born on 21 Apr 1906 in Muricy / Alagoas. He died on 5 Mar 1996 in Brasilia - DF. He exerceu a profissão de General Professor do Exército, engenheiro civil, teosofista, parapsicólogo e ufólogo. ALFREDO MOACYR DE MENDONÇA UCHÔA

Filho de IDALINA e ALFREDO, nasceu no Engenho BITITINGA, Município de Murici, Alagoas, no dia 21 de abril de 1906, sendo o segundo filho do casal. Todos os seus estudos de nivel primário e médio foram feitos em Maceió.
Aos 16 anos incompletos foi para o Rio de Janeiro, onde ingressou na Escola Militar do Realengo, envolvendo-se, poucos meses depois, no Movimento Revolucionário de 1922, quando foi preso e enviado, com outros colegas, para a guarnição de ITU, São Paulo, onde permaneceu aguardando julgamento, até que retornou ao Rio, julgado e excluido do Exercito.
Estudando sem qualquer professor, preparou-se e prestou vestibular para A Escola Politécnica do Rio de Janeiro, sendo aprovado e na qual se diplomou em 1928.
Como engenheiro geógrafo e civil, foi trabalhar em Vitória, capital do Estado do Espirito Santo, na Comissão de Melhoramentos da capital e, depois, na Secretaria de Viação e Obras Publicas.
Em Vitoria, conheceu ENA, como ficou dito na pequena biografia da mesma.
Em 1930, com a vitória da Revolução, foi anistiado e voltou ao Exército. Neste mesmo ano, ficou noivo de ENA. Transferido para o Rio de Janeiro, cursou, como 1º tenente, a Escola Militar Provisória.
Em 1932, tomou parte na Revolução Constitucionalista de São Paulo, ao lado do Governo. Em 1933 casou-se e ficou, ainda no Rio, durante um ano, sendo transferido para Pernambuco, indo servir no interior do Estado, na cidade de BARREIROS, trabalhando na construção de uma remonta.
Aí o casal foi residir em uma casa no alto de um morro, que quinze anos antes havia sido um hospital. A casa era grande, com os cômodos separados por paredes de meia altura, telha vã e piso de cimento. Era totalmente isolada das residências dos demais oficiais. Havia água corrente para o uso da casa, mas, para beber, comprava-se na porta, trazida por um AGUADEIRO, no lombo de um burro.
Para que a casa não caisse, Moacyr escorou várias paredes. ENA guardava litros de álcool com escorpiões mortos dentro da casa, onde também matou, certa vez, duas aranhas caranguejeiras e uma cobra.

A mobília da casa foi feita por ENA com táboas e caixotes, cobertos de chitão, tendo uma aparência muito agradável. Essa mobília foi muito disputada, por varias pessoas, quando o casal se mudou.
ENA fez uma horta que produzia hortaliças, naquele tempo coisa rara na região.
Ao fim de nove meses em Barreiros, MOACYR foi promovido a Capitão.
Era época de Natal, ocasião em que, no nordeste, organizavam-se REISADOS, grupos formados por crianças vestidas bizarramente e cantando cantigas folclóricas.
Prevenida, pela lavadeira, que um grupo de reisado iria a sua casa, ENA preparou doces e refrescos para a turma, que chegou cantando e batendo palmas, cantando o seguinte verso:
EU VIM À REMONTA
COM MEU BATALHÃO
SALDAR A SENHORA
DO SEU CAPITÃO!
Tudo isso deixou uma recordação inesquecivel, que ENA cantava para os netos.
Com a promoção a Capitão, o casal voltou a RECIFE, onde MOACYR foi comandar a 6ª Companhia de Preparadores de Terreno, cuja atividade principal era a de construir pistas de pouso para o Correio Aéreo Nacional, em todo o nordeste. Nessa época, a aviação militar estava ligada ao Exercito. Não existia a Aeronáutica.
Em 1935, ainda no comando dessa Companhia, MOACYR participou, do lado do Governo, da Revolução Comunista. Logo após, o casal regressou ao Rio de Janeiro, indo morar com seus sogros em Niterói, onde nasceram seus filhos Luiz Carlos Krish, Anna Maria Christina e Paulo Roberto Yog.
No Rio, MOACYR serviu na Inspetoria de Artilharia de Costa, trabalhando na Fortaleza de Santa Cruz e no Forte Imbuí, onde construiu o paiol semi-enterrado, à prova de bombardeio e projetou as instalações e embasamento de canhões pesados - Armstrong ( da Marinha ), no Forte de Coimbra.
Em 1938, MOACYR ingressou no magistério militar, como professor de Mecânica Racional e Cálculo Vetorial da Escola Militar do Realengo.
Promovido a Major e, depois a Tenente Coronel, quando acompanhou a Escola em sua transferência para RESENDE, passando a Escola a denominar-se ACADEMIA MILITAR DAS AGULHAS NEGRAS - AMAN.
Promovido a Coronel, assumiu a cátedra de Mecânica Racional. Durante 8 anos, MOACYR exerceu, acumulando com suas funções de professor, o cargo de confiança do General Comandante, de Sub Diretor de Ensino Fundamental, tendo à sua responsabilidade a orientação e a coordenação de todos os professores, bem como das matérias do ensino fundamental.
Em 1949, chefiou a Delegação de Professores da AMAN a uma visita de estudos e análise do sistema educacional da Academia Militar de West Point, nos EUA.
Em 1951, em Resende, nasceu sua filha caçula, ANGELA MARIA CRISTINA.
Em 1957, por designação do Ministro da Guerra, General TEIXEIRA LOTT, MOACYR fundou o COLÉGIO MILITAR DE SALVADOR, sendo seu primeiro Comandante.
Após dois anos de comando, por motivo de saude, pediu exoneração, indo cursar, no Rio de Janeiro, a Escola Superior de Guerra - ESG, durante o qual curso teve a oportunidade de voltar aos EUA, em 1960.
Em 1963, a pedido, reformou-se no posto de General de Divisão.

Na AMAN e em todas as guarnições onde serviu, fez uma infinidade de amigos. Seus alunos, mais tarde oficiais, sempre tiveram por ele admiração e respeito, o mesmo acontecendo com seus comandados e subordinados.
Durante sua vida militar recebeu sempre elogios pelo seu desempenho profissional, particularmente quando deixou o comando do Colégio Militar de Salvador, ocasião em que foi elogiado, em Portaria Especial, pelo Ministro de Guerra, Gen Henrique D. Teixeira Lott.
Ao longo de sua vida militar, foi condecorado com as seguintes medalhas: 30 anos de serviço; do Mérito Militar, no grau de Oficial; Marechal Trompowiski, do Magistério Militar.
Após sua passagem para a reserva, em 1964, foi Assessor da Presidência da Superintendência Nacional de Abastecimento - SUNAB ; Chefe do Departamento de Custos da Companhia Brasileira de Armazenamento - CIBRAZEM e Diretor de Engenharia da Caixa de Pecúlio dos Militares - CAPEMI.
Em 1968, foi para Brasilia, trabalhando como engenheiro na administração da Cidade Satélite do Gama, depois como engenheiro na fiscalização de obras da Caixa Econômica Federal, de onde saiu para a Assessoria do Departamento de Assuntos Universitários do Ministério da Educação, a convite de seu amigo e ex-aluno Ministro JARBAS PASSARINHO.
Foi um dos fundadores da UNIÃO PIONEIRA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL - UPIS, centro de ensino superior, sendo desde o inicio seu Diretor Presidente e Diretor de duas faculdades. Em Brasilia, fundou a ASSOCIAÇÃO UNIVERSAL MORYA, para difusão da TEOSOFIA. Pesquisador no âmbito da metapsiquica, ou espiritismo científico, acabou se dedicando à UFOLOGIA, fundando em Brasilia o Centro Nacional de Estudos Ufológicos - CENEU, sendo seu primeiro presidente. Foi eleito para a Academia de Letras e Musica de Brasilia - ALMUB - ocupando a cadeira de.......
Espiritualista convicto, desde os 17 anos de idade, dedicou-se à curas supranormais, adquirindo enorme experiência e obtendo resultados bastante positivos nsse campo.
Apresentou inúmeras palestras e conferências sobre espiritualismo, teosofia e ufologia por todo o Brasil.
Escreveu e publicou os seguintes livros:
- ALÉM DA PARAPSICOLOGIA, 5º e 6ª Dimensões da Realidade
- A PARAPSICOLOGIA E OS DISCOS VOADORES, Fenômenos de Alexânia.
- MERGULHO NO HIPER-ESPAÇO
- CRISTO PARA A HUMANIDADE DE HOJE
- MUITO ALÉM DO ESPAÇO E DO TEMPO
- OÁSIS DE LUZ (poemas, escrito aos 82 anos)
- UMA BUSCA DA VERDADE ( sua autobiografia)
- CURAS TRANSCENDENTAIS

Homem simples, honesto, compreensivo e humano, sempre soube fazer amigos que o apreciam e respeitam. Segundo sua esposa, ele consegue realizar a definição do "HOMEM", de Rudyard Kipling, em seu maravilhoso poema: "IF".
De seu casamento com ENA, nasceram os seguintes filhos:
- LUIZ CARLOS KRISH DE MIRANDA UCHÔA
- ANNA MARIA CHRISTINA DE MIRANDA UCHÔA
- PAULO ROBERTO YOG DE MIRANDA UCHÔA
- ANGELA MARIA CRISTINA DE MIRANDA UCHÔA

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A vida de Moacyr está muito bem resumida e sintetizada no livro que ele próprio escreveu e publicou : UMA BUSCA DA VERDADE - sua autobiografia.
Homem de uma extraordinária dedicação às pesquisas do supra-normal bem como ao trabalho com curas transcendentais, tornou-se bastante conhecido pelas pessoas e instituições ligadas a esses tipos de assunto.
No ambiente familiar sempre foi carinhosamente amado por todos, que elegeram Moacyr como seu "guru", dele sorvendo e apreendendo os conhecimentos relacionados às coisas do espírito. Esse procedimento também foi adotado por incontável número de pessoas que lhe eram chegadas.
Sua filha Angela compôs uma canção que resume, com muita precisão, muitas das "facetas" de seu pai:

"Meu paizinho é bonitinho, meu paizinho é um amor.
Ele é luz, amor e carinho, ele é mesmo encantador.
De manhã cedo, já bem cedinho, ele sai p’ra trabalhar
E em casa, depois, do almoço, já nem pode descansar.
E de noite, pererecando, na UPIS e em mil atividades,
Ele é mesmo uma brasa, não dá bola para a idade..."

"Meu paizinho é bonitinho, meu paizinho é um amor.
Ele é luz, amor e carinho, ele é mesmo encantador.
Com as águas e com as pedras ele fala com fervor.
Fitipaldi p’ra ele é pinto, das estradas é o terror .
Compreende tudo de todo mundo, entende tudo seja o que for,
Ele até fez amizade com o tal Disco Voador..."

Em 12 de janeiro de 1983 foram comemoradas suas BODAS DE OURO, cuja belíssima cerimônia se encontra resumida na biografia de ENA. Entretanto, aqui é o momento para repetir a pequena descrição de Moacyr, contida no texto preparado e lido pelo filho Paulo Roberto:
" O homem: Alfredo Moacyr de Mendonça Uchôa, faz hoje idéia nítida e precisa da direção da Evolução, e tem dedicado sua vida a cooperar com ela, auxiliando e orientando os seus irmãos de jornada. Os Membros da Grande Hierarquia, em cujas mãos está a Evolução do Mundo, buscam homens como ele, predispostos para a missão, orientando-os no que lhes falta para poderem auxiliá-Los na Grande Obra."
Quando por ocasião de seu aniversário de 80 anos (21 Abr 86), o filho Paulo Roberto presenteou-o com um áudio visual sobre sua vida. O trabalho, batizado de "AS OITENTA PÉTALAS DE UMA ETERNA ROSA" tem a duração de 50 minutos e consta de 240 slides que reproduzem toda sorte de fotografias que foi possível obter e relacionadas com Moacyr, projetados por sobre um texto preparado pelo filho e que aborda, de forma resumida e bastante ilustrada, os 3 principais segmentos da intensa vida de Moacyr: o profissional, o familiar e o espiritual. E o trabalho termina assim:

"Que possamos nós, um dia, como você, Moacyr, sermos capazes de mergulhar para dentro de nós mesmos, até sentir o espírito, vindo da densidade das rochas, do paralelepípedo das ruas ou da poeira das estradas e das areias oceânicas, por dentro da vida, até a Alma dos Sóis, das Estrelas, das Galáxias..."
"Era uma vez uma rosa que nasceu eterna quando a mônada divina fecundou-lhe a semente. Em seu caminho de ascensão, floresceu em incontáveis canteiros, recebendo, em cada um, um nome e uma missão..."
"No dia 21 de abril do ano terrestre de 1906, a Roda de Sansara recolocou-a no mundo dos homens e batizou-a de MOACYR. Uma noite, seus irmãos de jardim comemoraram suas OITENTA PÉTALAS, perfumadas com a pura essência do Divino Amor que já realizou em seu coração..."
"Hoje, ela, a ROSA MOACYR, sabe qual é o seu destino. No mais profundo de seu ser, uma alegria incontida revela a certeza da inexorável FUSÃO COM A LUZ MAIOR... Quando o momento chegar, a ROSA, plenamente desabrochada, desvencilhar-se-á das milhares e milhares de pétalas que ornaram sua corola, para sentir, em cósmica vibração, que EU E O PAI SOMOS UM !!!..."


No final da década de 80, os problemas de coluna de Moacyr foram se agravando, até que, com o primeiro derrame cerebral que o acometeu em fevereiro de 1991, guardou o leito de forma definitiva, passando à fase de expiação da sua, até então, tão bela, produtiva e realizada vida sob a regência de seus amados Mestres Jesus, Morya e Phelipe de Lion.
Ao poema abaixo segue-se um comentário que bem demonstra a altura em que se encontra o espírito de Moacyr, mesmo quando, ainda, encarnado e padecendo sob o peso de seu KARMA que, para alguns, se constitui na derradeira provação para ele que, com certeza, já não mais precisará retornar a esse mundo físico, denso e sofredor, pois que sua evolução prosseguirá em planos e níveis superiores.

BUSQUEI

Busquei sempre a Verdade
E nos caminhos por que passei,
Encontrei tropeços, dificuldade
Mas, sempre, sempre Busquei!

Por isso, ao final dessa jornada terrena,
Depois de tantas venturas, mas também de sofrimento e dor,
Posso afirmar: Só essa Busca traz, ao espírito, a realização plena
E nos permite a transição serena
Para os planos da Luz, da Vida Eterna e do Amor.

Brasília, 06 de julho de 1995


Sobre o poema acima:


Ena de Miranda Uchôa faleceu, em Brasília, em 15 Março 95. Quase 4 meses depois, sua filha Anna Maria teve que ir ao sítio de seus pais, em Alexânia - GO, para resolver problema com o caseiro. Viajou no carro e com o motorista que eram de sua mãe. Na viajem, no banco de trás do carro, começa a se lembrar, com muita saudade, das quantas vezes fizera aquele percurso, naquela mesma situação, sentada ao lado de sua mãe naquele mesmo banco traseiro. Aos poucos, foi sentindo a sensação da presença de Ena, que foi se intensificando tornando-se, então, muito forte. Sentiu enorme desejo de escrever. Deveria ser sua mãe querendo se comunicar, pensou. Abriu a bolsa, retirou um caderninho de notas, pegou a caneta e entregou-se ao impulso. Anna Maria nunca psicografara nada. Era a primeira vez, e ela estava feliz porque sentia (e queria que assim fosse) que se tratava de sua mãe. Terminada a curta mensagem, ao lê-la, tomou-se de natural surpresa: pelo estilo, pelo tema, pelas palavras, pelo sentido, pela poesia, pela tônica místico-filosófica, não havia dúvida: NÃO FÔRA ENA. Aquela bela, inspirada e categórica mensagem era UMA MENSAGEM DE SEU PAI, Alfredo Moacyr de Mendonça Uchôa, há muitos anos padecendo no leito de dor, àquela época já praticamente inconsciente para o nosso mundo material. Tudo se passou como se Moacyr, determinado a transmitir aquela mensagem, mas ainda preso aos grilhões da carne e, portanto, talvez sem condições de atuar decisivamente sobre a filha Anna Maria, TEVE A AJUDA DE SUA AMADA ENITA que, naquela oportunidade, trabalhou como verdadeira ponte entre Moacyr e Anna Maria. Ressalte-se o fato de que, mesmo supondo tratar-se de alucinação, auto-sugestão ou que nome se queira dar, a mensagem seria NECESSARIAMENTE de Ena, como era o ardente desejo de Anna Maria, por cuja mente jamais passara a possibilidade de seu pai dispor daquele Poder que, afinal, demonstrou, inequivocamente, possuir.

P.S. Um dos últimos livros de Moacyr, sua autobiografia, foi por ele intitulado:

" UMA BUSCA DA VERDADE "

( Considerações de Paulo Roberto Yog de Miranda Uchôa )

Alfredo Moacyr faleceu às 05:45 hs do dia 05 de março de 1996, no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília. Seu corpo, por "coincidência", não pode ser velado na capela do HFA, já comprometida em velar outra pessoa falecida. Seu filho, Paulo Roberto, então General Comandante da 11a Região Militar, conseguiu que o velório fosse realizado no conhecido Oratório do Soldado, templo ecumênico, do Exército, em Brasília.Na ocasião compareceram um sem número de amigos e ex-alunos de Moacyr. Tudo pareceu encaixar com a filosofia ecumênica sempre defendida por Moacyr. O Coronel, Capelão Católico Militar, o Ten Cel Pastor Evangélico e o Presidente da Regional da Cruzada dos Militares Espíritas, todos se ofereceram para realizar a oração de despedida do corpo. Aceitos pela família, o filho Paulo Roberto, no momento oportuno, dirigiu-se aos presentes a quem informou o motivo das orações, em várias religiões: "Alfredo Moacyr era um homem que se auto-intitulava profundamente religioso, sem ter. ele próprio, uma religião definida. Orar, rezar, sempre lhe foi uma atividade de enorme prazer. Orar em um templo católico lhe enlevava a alma; rezar num ambiente evangélico lhe enaltecia o coração; dirigir-se à Deus numa reunião espírita lhe era profundamente gratificante; meditar em um templo budista o conduzia a algo como o Samadhi; e assim por diante... " Feitas essas colocações, os ministros de cada religião presente proferiram sua oração, ao término das quais o filho Paulo Roberto fez a leitura de uma carta que Denise, sua filha e neta de Alfredo Moacyr, havia escrito para o momento do desenlace, na certeza de que a inspiração de Denise sintetizava o que todos, parentes e amigos, desejavam dizer naquele momento:

CARTA AO MEU AVÔ


A Terra já pressente a tua ausência.
O verde das árvores reflete o vazio.
Um sopro frio permeia a natureza.
Tudo se cala, solenemente.
Saudade infinita sentiremos de ti.
Pai amado, deixa-nos órfãos.
Deste-nos tanta esperança!
Esperança de vidas sucessivas,
da justiça do Karma... reencarnação...
Ensinaste-nos a estudar os mistérios,
Teosofia, verdades divinas...
Encantou-nos com os anjos, os Devas,
a pureza dos seres ascencionados.
Tuas palavras encheram corações,
platéias, lares, hospitais.
Curastes.
Tuas curas permanecem como prova
de tua fé no Cristo, nos Mestres.
Ser de bondade sem fim...
Sabedoria interior, amor, Divino Amor.
(Tuas qualidades se multiplicam
à tentativa de enumeração)
Deixa-nos órfãos!
Avô, esferas mais sublimes
te aguardam - como a um Santo.
Bem vindo serás!
Os céus se rejubilarão com a tua chegada...
Há muito estás pronto para a Grande Viagem...
Teus Mestres Amados te receberão no Portal, fiel discípulo que tu és!

Cumpriste cada etapa de tua missão pioneira, reveladora, única e bela.
Tua vida foi uma trajetória de amor,
Busca e realizações.
Amaste ao próximo como a ti mesmo.
Amaste a Deus acima de todas as coisas...

A força de tuas preces
transcenderam as estrelas
e alcançaram seres de outros mundos.
Que também te ouviram.
Hoje. todos sofrem com tua partida inexorável...
Acompanhe teus Mestres, querido!
Siga teu caminho
iluminado pelo esplendor de tua alma!
Ouça os cânticos que te convidam...
Teus filhos te amarão para sempre.
Tua obra sobreviverá aos tempos...
Nós sentiremos tua falta,
até que tu venhas nos buscar, um dia...
Vá com Deus, meu avô !
E salve o dia do nosso reencontro,
na Terra ou nos céus.
Nós te acharemos.
É só seguir a luz...

Tua netinha
Denise


A seguir, a filha Anna Maria disse o belo poema que havia "psicografado" e que, neste resumo biográfico foi reproduzido sob o título de "BUSQUEI". Finalmente, o filho Luiz Carlos conduziu a última oração.

A família preparou e distribuiu aos amigos e parentes um pequeno e significativo cartão, com o retrato de seus Mestres Jesus, Morya e Phelipe, onde, também, constava :

Que possamos nós, um dia,
como você, Moacyr, sermos capazes de
"...mergulhar, para dentro de nós mesmos,
até sentir o Espírito, vindo da densidade das rochas,
do paralelepípedo das ruas ou da poeira das estradas
e das areias oceânicas, por dentro da vida,
até a Alma dos Sóis,
das Estrelas e das Galáxias..."


(A. Moacyr M. Uchôa)

Em 21 de março de 1996, a Câmara Legislativa do Distrito Federal, através de seu presidente, encaminhou à familia a Moção Nr 1301/96, de iniciativa do Deputado Luiz Estevão, da qual extrai-se os dois últimos parágrafos:

"Lamentamos perdas, como esta, de pessoas que representam tanto para o nosso País e deixam uma grande lacuna para a sociedade."

"É por esta razão que os Membros desta Casa enviam sua solidariedade aos familiares do nosso saudoso General Alfredo Moacyr de Mendonça Uchôa."

Em consequência, em nome da família, agradeceu o filho Paulo Roberto, através da seguinte correspondência:


Ao Exmo Sr Deputado GERALDO MAGELA
MD Presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal

Sr Presidente

Venho, através desta, na condição de filho e em nome da família do General Alfredo Moacyr de Mendonça Uchôa, falecido no último dia 05 de março de 1996, agradecer a solidariedade e o pesar manifestos através da Moção Nr 1301/96, de iniciativa do insigne Deputado Luiz Estevão.

Faço V Excia saber do sentimento de satisfação que invadiu nossos corações ao receber tão honrosa comunicação, onde se constata que nosso saudoso pai teve reconhecido seu trabalho de educador, pesquisador e homem de ciência avançada, desenvolvido, ao longo dos últimos trinta anos de sua vida, no ambiente desta cidade, a qual tanto amou. Para ele, a magia de Brasília se resume na responsabilidade para com seu próprio futuro, que previa luminoso e promissor no concerto das Nações. Quantas vezes o ouvimos dizer que "aqui está o berço e será o polo de irradiação da chamada Nova Grande Raça - segundo a terminologia Teosófica - que há de conduzir a humanidade terrestre ao longo dos amplos caminhos dos próximos milênios." !

Aproveito a oportunidade para expressar, a V Excia e a todos os nobres deputados Membros dessa Casa, o nosso mais profundo reconhecimento, respeito e admiração.


General PAULO ROBERTO YOG DE MIRANDA UCHÔA
Comandante da 11a Região Militar Brasília, 09 de Maio de 1996



Ena de Miranda UCHÔA and Alfredo Moacyr de Mendonça UCHÔA had the following children:

child+2 i. Luiz Carlos Krish de Miranda UCHÔA.
child+3 ii. Anna Maria Christina Uchoa MASCARENHAS.
child+4 iii. Paulo Roberto Yog de Miranda UCHÔA.
child+5 iv. Angela Maria Cristina Uchôa ABREU BRANCO.